Conheci
um que
sentado
na porta de seu pequeno
comércio
exalava algo totalmente
contraditório:
Era rústico
despojado
e sábio. Essas coisas definitivamente
não
combinam, mas ele conseguiu. Sua sabedoria era expressa
em
pequenos comentários resultado
de suas
observações.
E
este me avisou que a vida não
seria
fácil, contraditório mesmo,
fazia
parecer tudo fácil.
Aprendi,
dentre outras, o valor do trabalho, de construir, realizar. Começando pelo
simples, primeiro plantar uma árvore e depois as outras coisas. Se existia algo
que o deixava feliz era realizar,
esse
é meu pai, Sebastião Rodrigues.
Conheci
um com inúmeras habilidades,
era
motorista - sim naquela época era- mecânico, marceneiro, ferreiro, pai de
uma
boa família, administrador...
neste
ví e aprendi a honestidade, deixou
a vida
de mãos vazias, até a casa ganha
de
seu patrão nunca nela morou,
mas
de mãos limpas. Meu avo, Francisco Robusti.
Com
outro, aprendi o gosto da convivência seja profissional, social ou familiar,
sentia prazer nisso, era perceptível. Ví a arte
do
bom humor. O bom humor
encantava
todos a sua volta. Tratava
o
humor com seriedade, nas f e s t a s,
nos
e n c o n t r o s familiares era a
atração,
as vezes com piadas
repetidas,
mas todos não se
continham
em rir tal era seu encanto. Meu, com duas patentes - como costumava brincar com
ele - tio e padrinho - Tio Santos, Santos Robusti.
Conheci
um, também com bastantes habilidades, também motorista e bom pai de família, e
a sua tinha e deixou uma qualidade marcante: União e entendimento, não se ouvia
falar em brigas entre eles. No dia em que se foi tive involuntárias lembranças
e a maioria delas era sentado ao volante trabalhando, seja no caminhão ou
trator aliado a este enormes áreas, grandes pastos por ele arados.
"Filho
de peixe peixinho é", a "fruta não cai longe do pé". Ditados
populares que falam deles, claro falo
do
filho do seu Francisco Robusti, José Robusti o meu querido Tio Zé.
Esse...
Bem esse...
Não apenas conheci, vi nascer. Fomos um
dos primeiros a chegar na maternidade. Vi crescer, vi a alegria dos pais a cada
novidade que trazia. Os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia
de colégio. Até o primeiro dia de trabalho, o marco da vida, enfim, adulta.
Tudo transcorreu como esperamos. A vida traz um encanto especial ao vermos o nascer.
De
rabugento quanto jovenzinho, em sua fase adulta todas as vezes que o
encontrávamos percebíamos mudanças, comentávamos entre agente ( aqui na nossa
família ) . Ficava uma pessoa cada vez melhor, sua companhia era agradável, tornou-se simpático e consciente
das coisas e da realidade. Tornou-se uma pessoa do bem. Gostava de estar em
família, gostava de estar com os amigos, gostava das coisas boas, praia, surf,
skate. Tornou-se bom. Mas como não ser bom, se tudo a sua volta era bom ? Uma
família boa, uma mãe dedicada o chamava de “príncipe”, como não
tornar-se bom ?
Mas
esse não constituiu família.
Ainda
não tinha grandes histórias. Com 28 anos, Formado, trabalhando, enfim pronto
para a vida, pronto para fazer a sua história...
Não pôde
faze-la...
Há
duas coisas que definitivamente não entendo, a infinitude do universo e o nosso
fim, ainda mais quando abreviado.
Esse amigos é Victor Leonardo Robusti Leitão, meu sobrinho.
Ouvi
falar de homens que querem a
eternidade
aqui, esses não conheci, mas
também
quem teria coragem de admitir,
acho
até que encontraríamos hoje alguém
assim,
tamanha é a cara pau de alguns, enfim, não conheci.
Se
conhecesse alguém assim perguntaria para que a eternidade aqui, se todos
que
gostamos se vão? Não faz sentido e não seria bom viver a vida toda sem ter essas
pessoas aqui.
Emociono-me
lembrar de todas essas pessoas - não desses que querem a eternidade aqui - e me
sinto com uma tremenda responsabilidade de ter um pouco de cada um deles para
que isso possa ser
levado
aos meus descendentes e que meus descendentes possam saber de onde vem essas
qualidades.
Certamente
os homens não são por aquilo que pensam são por aquilo que fazem e esses
fizeram. Que possam estar na glória, junto do poderoso Deus.
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